sexta-feira, 27 de abril de 2012

O viajante - Parte III (Final)

(Leia a primeira e a segunda parte do conto)

Todas nós estávamos chorando, exceto Samara que parecia satisfeita consigo mesma e com o que acabara de fazer. Até que a senhora Williams conseguiu nos revelar toda a verdade.

— Não existe nenhum viajante devorador de pessoas. —Falou em meio a soluços — Aquilo foi apenas um conto de terror que seria o tema de nossa próxima peça teatral de fim de ano. Eu quis que vocês sentissem o medo que o público deve sentir ao assistir a peça. Eu disse que deveriam se preparar pro que há por vir, porque a peça será apresentada no teatro da cidade e será aberto à todo o público.

Não existe um viajante que devora pessoas, cidades e vilarejos inteiros! — Ela gritou desesperada.

— Então quem é esse homem? E por que a senhora ficou tão assustada quando ele abriu a porta? — perguntou Nicole no meio do grupo de meninas chorosas e assustadas.

— Ele era meu pai! —A professora pôs-se a chorar novamente.

Pai da senhora Williams? Como poderia? Ele havia sumido há anos! Diziam que havia se afogado no rio; que fugiu com o circo; que fora para a cidade grande viver de esmola... Mas por que ele voltaria? E por que não dissera uma palavra? São tantos por quês... E a professora Williams não consegue parar de chorar e gritar.

—Eu fiquei assustada porque achei que ele estivesse morto ou não quisesse mais saber de mim. Não pude acreditar que era ele quando a porta se abriu. — Ela disse tentando parar de chorar — Não foi a minha intenção descrever um personagem idêntico ao meu próprio pai. Eu não sabia mais como ele era. E não era pra Samara ter feito aquilo.

Samara permanecia em pé, de frente para a senhora Williams, com uma expressão séria no rosto. Os sapatos sujos de sangue e as mãos tremendo.

—E agora? —Perguntei apreensiva e enxugando as lágrimas do rosto.

Ninguém respondeu. Estavam ocupadas demais chorando e lamentando. Exceto Samara, que decidira fazer alguma coisa.

Pegou April e Violet pelos braços e arrastou ambas para fora da sala. Não havia ninguém por perto com toda aquela chuva e ventania. As três foram até a parte de trás de nossa sala de aula e Samara ordenou que as colegas a ajudassem a cavar o mais fundo que pudessem. Minutos depois, as três voltaram imundas de lama e encharcadas. Puxaram o cadáver com ajuda de mais duas amigas e o jogaram na cova improvisada. Taparam-no com a terra molhada e voltaram para dentro.

—O assunto está resolvido. Ninguém mais saberá o que aconteceu aqui hoje. Limpem a sala e voltem para suas casas normalmente. Quem ousar contar a alguém o que aconteceu aqui, lembrem-se do que fiz hoje e que isso sirva de aviso.

Todas nós ficamos sem reação no momento. Mas acabamos por concordar com tudo o que ela disse, inclusive a senhora Williams.

Hoje é o dia da apresentação da peça “O viajante”, mas a senhora Williams não está aqui. Dizem que ela cometeu suicídio e que tomava muitos remédios para depressão. Mas todas nós sabemos o que aconteceu de verdade.

Algo que Samara não poderia deixar acontecer. E que até hoje assombra os nossos sonhos. Enquanto dormimos tranquilamente, Samara estará lá. Vigiando-nos em nossos quartos.

Por mais que o tempo passe e que coisas boas aconteçam em nossas vidas, teremos o sentimento de culpa e o conto do viajante para sempre em nossos pensamentos.

Fim.

Finnegan.

2 comentários:

Valquíria Paula disse...

Uau!!! Final impressionante, garota.
Muito bom, espero pelo próximo agora
Bjussss

ONSLAUGHT disse...

huhuhuh!!!!!
uma historia show de bola!!!!
nota mil pra vc senhorita Finnegan!!
ainda mais por ser seu primeiro conto de suspense!! Está de parabéns meu amor!!^^
adorei o final! Todas com a culpa encravada em seus corações!!!!
Da até pra fazer um filme !!
=)