sexta-feira, 13 de abril de 2012

Meu melhor avô



Impossível não sentir falta, não se lembrar de seu rosto, seu sorriso...

Ainda ouço sua gargalhada ecoando pelo quintal.

Seus gritos tentando chamar a atenção de quem passa por perto.

Meu avô bebia cachaça, fumava cachimbo, falava palavrão, subia em árvore, cantava com os passarinhos, conversava com a lua, conhecia todo mundo, tinha sempre uma resposta na ponta da língua, nunca passa despercebido, gostava de ser o centro das atenções e foi uma boa pessoa.

Posso não ter sido a neta mais presente e participativa que ele teve, mas isso não faz o meu amor por ele ser menor. Houveram dias em que trocamos farpas, mas isso nem se quer abalou as estruturas dos meus sentimentos por ele. E por mais que eu seja uma pessoa quieta e que não costuma demonstrar seus sentimentos, eu tenho certeza de que ele sabia que eu o amo demais.

Se tem uma coisa da qual me arrependo é de não ter visitado ele no hospital em seus últimos dias, mas não foi por má vontade e sim por achar que ele superaria isso com o pé nas costas já que se tratava do meu avô, o homem mais forte do mundo que enfrentara coisas das quais nem consigo imaginar. O homem que construiu a casa onde eu moro e mais um monte de outras casas. O homem que criou 10 filhos sem se arrepender da educação que lhes deu.

Sei que não existem falhas nos planos de Deus, mas me pergunto por que Ele orquestrou cada situação para que eu não pudesse estar presente no velório e no enterro.
Principalmente não entendo por que tinha que acontecer no dia do meu aniversário de 20 anos que tinha sido o melhor da minha vida até eu receber a notícia.

A qual tive conhecimento no meio de um churrasco de domingo de pascoa (quase dois dias depois do falecimento) organizado pela família do meu namorado. E ainda tive que ser forte o suficiente para não deixar transparecer a minha tristeza até que ninguém estive por perto pra não acabar estragando a comemoração de quem não tinha nada a ver com aquilo.

Eu nem se quer me lembro qual foi a última coisa que disse à ele enquanto era vivo. Eu não pude me despedir pela última vez. E cada dia que passa isso tem me corroído cada vez mais.

Há menos de dois anos, eu me lembro como se fosse ontem, a viagem que fiz para a Paraíba com grande parte da família e com ele. Boa parte da viagem estive ao lado dele, fazendo companhia aonde ele ia, sentindo-me muito orgulhosa por poder estar desfrutando de momentos com o único avô que conheci e de não precisar compartilhá-los com mais ninguém, a não ser com ele. Andamos de braços dados por ruas de paralelepípedos, conversamos, rimos, visitamos pessoas...

Até do momento em que todos reclamaram dele eu sinto falta! Acontecia todos os dias da viagem, antes das 6 da manhã, quando ele ligava o rádio pra ouvir as notícias e acordava todo mundo com o barulho. E então ele ficava na janela olhando pra rua, esperando que todos levantassem para que ele pudesse ser o centro das atenções de novo. E que tivesse a minha companhia pra andar pelas ruas da cidade novamente enquanto ouvia todos o chamarem de ‘Barão’.

Meu vô Crido...

Vivia assobiando... Implicando com a minha gata... Inventando coisas novas pra fazer... Brigando com a minha Vó... Fazendo piadas... Ouvindo rádio... Perguntando se eu queria almoçar... Se metendo no que não devia... Sonhando com a próxima viagem pra Paraíba... Cuidando dos filhos... Falando de como eram as coisas antigamente... Cochilando durante o dia... Sentado no banco que ele construiu no ponto de ônibus... 
Fazendo dívidas nos comércios das redondezas... De bem com a vida...

Euclides José de Assis, falecido na noite do dia 06/04/2012.

Nunca será esquecido por nossas mentes e sempre terá um lugar em nossos corações.

Finnegan.

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