sexta-feira, 27 de abril de 2012

O viajante - Parte III (Final)

(Leia a primeira e a segunda parte do conto)

Todas nós estávamos chorando, exceto Samara que parecia satisfeita consigo mesma e com o que acabara de fazer. Até que a senhora Williams conseguiu nos revelar toda a verdade.

— Não existe nenhum viajante devorador de pessoas. —Falou em meio a soluços — Aquilo foi apenas um conto de terror que seria o tema de nossa próxima peça teatral de fim de ano. Eu quis que vocês sentissem o medo que o público deve sentir ao assistir a peça. Eu disse que deveriam se preparar pro que há por vir, porque a peça será apresentada no teatro da cidade e será aberto à todo o público.

Não existe um viajante que devora pessoas, cidades e vilarejos inteiros! — Ela gritou desesperada.

— Então quem é esse homem? E por que a senhora ficou tão assustada quando ele abriu a porta? — perguntou Nicole no meio do grupo de meninas chorosas e assustadas.

— Ele era meu pai! —A professora pôs-se a chorar novamente.

Pai da senhora Williams? Como poderia? Ele havia sumido há anos! Diziam que havia se afogado no rio; que fugiu com o circo; que fora para a cidade grande viver de esmola... Mas por que ele voltaria? E por que não dissera uma palavra? São tantos por quês... E a professora Williams não consegue parar de chorar e gritar.

—Eu fiquei assustada porque achei que ele estivesse morto ou não quisesse mais saber de mim. Não pude acreditar que era ele quando a porta se abriu. — Ela disse tentando parar de chorar — Não foi a minha intenção descrever um personagem idêntico ao meu próprio pai. Eu não sabia mais como ele era. E não era pra Samara ter feito aquilo.

Samara permanecia em pé, de frente para a senhora Williams, com uma expressão séria no rosto. Os sapatos sujos de sangue e as mãos tremendo.

—E agora? —Perguntei apreensiva e enxugando as lágrimas do rosto.

Ninguém respondeu. Estavam ocupadas demais chorando e lamentando. Exceto Samara, que decidira fazer alguma coisa.

Pegou April e Violet pelos braços e arrastou ambas para fora da sala. Não havia ninguém por perto com toda aquela chuva e ventania. As três foram até a parte de trás de nossa sala de aula e Samara ordenou que as colegas a ajudassem a cavar o mais fundo que pudessem. Minutos depois, as três voltaram imundas de lama e encharcadas. Puxaram o cadáver com ajuda de mais duas amigas e o jogaram na cova improvisada. Taparam-no com a terra molhada e voltaram para dentro.

—O assunto está resolvido. Ninguém mais saberá o que aconteceu aqui hoje. Limpem a sala e voltem para suas casas normalmente. Quem ousar contar a alguém o que aconteceu aqui, lembrem-se do que fiz hoje e que isso sirva de aviso.

Todas nós ficamos sem reação no momento. Mas acabamos por concordar com tudo o que ela disse, inclusive a senhora Williams.

Hoje é o dia da apresentação da peça “O viajante”, mas a senhora Williams não está aqui. Dizem que ela cometeu suicídio e que tomava muitos remédios para depressão. Mas todas nós sabemos o que aconteceu de verdade.

Algo que Samara não poderia deixar acontecer. E que até hoje assombra os nossos sonhos. Enquanto dormimos tranquilamente, Samara estará lá. Vigiando-nos em nossos quartos.

Por mais que o tempo passe e que coisas boas aconteçam em nossas vidas, teremos o sentimento de culpa e o conto do viajante para sempre em nossos pensamentos.

Fim.

Finnegan.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O viajante - Parte II

(Antes de começar a ler, leia a primeira parte deste conto aqui.)

Os momentos seguintes aconteceram num piscar de olhos. Foi tudo tão rápido que é difícil de acreditar que realmente tenha acontecido. Mas as cicatrizes em minha mente me lembram de que foi tudo real.

A senhora Williams finalmente se moveu. Foi na direção do homem parado na porta olhando diretamente para ela. Fiquei abismada. Tentei gritar, mas eu já não tinha mais voz. — Como ela poderia se dirigir ao viajante devorador de pessoas? —Pensei estarrecida.

Samara levantou-se abruptamente. Meus olhos se voltaram para ela, esquecendo-me completamente do perigo que corríamos com aquele sujeito à porta. — O que ela pretendia fazer? Atirar-se na frente da professora e salvá-la? Enfrentar o malfeitor? Ou apenas correr o mais longe possível passando de baixo das pernas dele? — Meus pensamentos começaram a se entrelaçar e eu já não sabia o que estava pensando.

Olhei novamente para o viajante. Ele estava ensopado. Seus cabelos pingavam em cima de seus olhos e a água percorria seu rosto rústico até cair no chão. Ele não piscava. Não se movia. Respirava lentamente, como se estivesse concentrado. Esperando o momento certo para atacar.

A senhora Williams se aproximava lentamente do homem, relutante e incrédula. Enquanto Samara, em transe, pegou a sua cadeira e foi em direção à porta em passos largos. Ela a carregava sem fazer muito esforço. Seu rosto permaneceu sério ao passar pela professora, que fora tirada do caminho por duas alunas, as quais pareciam saber exatamente o plano de Samara.

O viajante permaneceu estático. Mas sua expressão havia mudado, ele parecia assustado com a feição de Samara, que era muito assustadora. Faltava apenas um passo. Samara olhou nos olhos dele.

E com um golpe forte e preciso enfiou dois dos pés da cadeira de ferro no abdômen dele. O homem soltou um gemido abafado. Os outros dois pés da cadeira estavam ao lado de sua cabeça e passaram bem perto de suas orelhas. Samara puxou a cadeira ao ouvir o grito desesperado da professora Williams. E o golpeou novamente com frieza no olhar ao ver que o homem vomitara sangue no chão à sua frente.

—Não!!! – gritou a senhora Williams.

Levantei-me finalmente, corri até o meio da sala. Mas não sabia o que fazer. Minhas pernas tremiam. Cai no chão e pus-me a chorar. Todas as minhas colegas de classe tentavam segurar a senhora Williams. E Samara só se deu por satisfeita quando o homem caiu no chão sujo de sangue e parou de gemer.

Largou a “cadeira letal” no chão e voltou-se para a professora — Eu nasci preparada. — Disse em tom de voz firme.

Continua...

Finnegan.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O viajante - Parte I

Aquela aula se tornara assustadora de repente. Meus olhos arregalados eram apenas uma amostra do medo que tomou conta do meu corpo. E eu não era a única. Todas as meninas que estudavam naquela classe se sentiam aterrorizadas com a história que a senhora Williams contava com certo entusiasmo.

Passava das 21 horas e uma chuva torrencial caía lá fora. Os enormes pinheiros balançavam sem parar tamanha a ventania. E de vez em quando, seus galhos batiam nas janelas molhadas assustando a todas nós.

— Ninguém sabia exatamente o que o viajante queria, mas quando ele chegava a uma cidade, era quase impossível alguém sair vivo. Eu digo “quase” porque alguém conseguiu sair e é por este motivo que sei dessa história e posso contá-la a vocês. — A professora contava andando de um lado para o outro na sala de aula. — O viajante era um homem alto de cabelos na altura dos olhos. Bem arrumado, mas com o rosto rústico e impenetrável. Olhos negros, mãos grossas e dentes afiados como os de um lobo.

Os gritos ecoavam pelas pequenas cidades e vilarejos. Os que não morriam pelas mãos ensanguentadas dele, morriam de medo e caíam duros no chão enquanto ele se aproximava. Logo suas roupas ficavam manchadas com o sangue de cada um que ele devorava, mas nada poderia impedi-lo. E sua fome nunca era saciada completamente.

O viajante não tem casa, sua família fora sua primeira vítima. Ele vaga por desertos, estradas e florestas. Somente à procura de alguém que possa restaurar suas energias com sua carne fresca.

— Senhora Williams, desculpe interrompê-la, mas estamos todas assustadas com esta história. Por que a senhora está nos contando tudo isso ao invés de ensinar-nos a matéria devida? — Perguntou April, que se encontrava na carteira ao lado, praticamente petrificada de medo.

— Para que se preparem pro que há de vir. — A senhora Williams respondeu com um tom enigmático e maquiavélico na voz.

Meu coração batia rápido demais. Minhas mãos suavam além do normal e eu podia ver que minhas colegas se encontravam numa situação igual ou pior. Pobre April, já estava chorando.

Com um barulho estrondoso, a porta de nossa sala se abriu, batendo na parede com força. Os olhos da senhora Williams se arregalaram e então virei-me devagar na direção da porta.

E lá estava: um homem alto, com uma roupa vistosa e uma capa de chuva marrom por cima. Seus cabelos estavam encharcados e caíam por sobre seus olhos. Os mesmos eram pretos como a noite. E seu rosto fora castigado pelo tempo.

Deu um passo à frente sem dizer uma palavra. A professora continuara imóvel no meio da sala de aula. E nós, alunas, logo nos lembramos da descrição que a professora Williams nos dera sobre o viajante.

Era ele.

Meu coração parou.

Continua...

Finnegan.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Retorno



O melhor fim de semana acabou de acontecer e ainda sinto as nuvens sob meus pés.

O vento gelado que entra pela janela arrepia e me acorda.

Do melhor sonho que pudera ter, no qual éramos um.

Dias de provação e APROVAÇÃO.

Ali tive certeza de que tomei a decisão correta.

E de que tive toda a sorte do mundo em apenas um segundo.

Até mesmo no pior minuto não o tirei dos meus pensamentos.

E com toda ira que pude sentir, o amei ainda mais.

A lágrima que escorre em meu rosto é o símbolo.

Símbolo da saudade que toma conta do meu coração.
E corrói a minha mente.

Que incansavelmente me implora pra fazer o retorno.

E voltar pra ele.

Pros seus braços aconchegantes.

E pro seu beijo apaixonado.

Finnegan.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Não há esperança



Não foram 20, nem 15, muito menos 10.

Talvez menos de 5 minutos de fama que não renderam em nada.

Sequer um aplauso.

Um sorriso.

Agora estou de volta na escuridão.

As lágrimas afogam meus olhos e inundam meu rosto.

Meus dedos calejados me servem de recordação do que não vale a pena ser lembrado.

Minhas pernas fracas não me mantêm mais em pé.

Nesse canto frio e escuro.

De um quarto apertado e vazio.

Cada um teve seu motivo, mas todos levaram a uma mesma consequência,

O meu fracasso.

Não sei por que escrevo.

Pois de nada adiantou o meu sacrifício.

Pois ainda choro todas as noites antes de dormir.

E nada irá mudar, não existe esperança.

Pra quem não tem conserto.

Como eu.

Finnegan.

sábado, 14 de abril de 2012

Brincou com fogo, mas não saiu queimado nem mijou na cama.


O que você faria se estivesse num dia normal de trabalho e de repente sua prima te manda uma mensagem no celular dizendo que seus filhos estavam aprontando quando ela chegou na sua casa pra ficar com eles e quando você liga pra ela no intuito de saber o que aconteceu, você fica sabendo que dois de seus filhos estavam brincando com fogo e tentaram acender uma boca do fogão sem a supervisão de um adulto?

Pois é, foi o que aconteceu comigo alguns dias atrás... antes de qualquer coisa quero deixar claro que estou escrevendo este texto com intenção de desabafar e compartilhar meus sentimentos, em momento nenhum quero julgar as atitudes de ninguém e que isso fique bem claro.

Bem, o fato é: cheguei na casa da minha prima num dia normal pra fazer companhia aos filhos dela que ficam sozinhos durante a tarde, mas quando cheguei lá me deparei com a situação de um menino de 7 anos e uma menina de 10 brincando com fogo e uma das bocas do fogão estava aberta apenas saindo gás.

Em épocas anteriores a minha primeira reação seria bater neles sem dó. Mas, por sorte, não sou mais o tipo de pessoa que age de cabeça quente. Então não bati, mas gritei sim. Minha pressão foi no céu, praticamente e eu não parava de tremer.

O que eu fiz exatamente: primeiro, tentei descobrir o que eles estavam pensando quando tiveram aquela ideia, mas isso foi em vão. Pus de castigo, que incluía arrumar o quarto, ficar sem tv, computador, celular e sem poder dormir no quarto da mãe. Mandei uma mensagem pro celular minha prima pra que ela pudesse me ligar. Contei exatamente tudo o que eu vi e tudo o que me disseram no momento em que pedi explicações. Vigiei para que realmente arrumassem o quarto ao invés de tentarem me enrolar. Reforcei o motivo de castigo várias vezes. Tentei novamente conversar para saber os reais motivos e quem tinha falado a verdade e quem tinha mentido na primeira conversa. Não me envolvi na conversa que a mãe teve com eles quando chegou do trabalho. Repassei pra ela o castigo que eu havia imposto e disse q valia apenas aquele dia, no resto dos dias valeria o castigo que ela dissesse. Me calei quando ela tirou minha autoridade diante os menores.

O que anda consumindo meus pensamentos é o fato de que, quando a mãe, que é a autoridade maior, chegou em casa, ela não fez nada além do que eu já havia feito. Pelo contrário, ela desfez o que eu fiz.

Eu ainda não sou mãe, ao contrário dela que é mãe de 4 crianças, então talvez eu esteja falando besteira aqui. Mas anular o castigo que eu impus não é o melhor jeito de educar uma criança. Provavelmente eles irão crescer com o pensamento que eles podem fazer o que quiserem e não serão punidos. Aliás, são até recompensados com uma caixa de bombom e um lanche super gostoso no dia seguinte, no qual já puderam usufruir das coisas que proibi e bagunçaram o quarto todo de novo.

Eu só queria entender qual foi a lógica dessa atitude. E o que foi que eu fiz de errado para que eu não cometa o mesmo erro duas vezes. Nem que eu corra risco de vida de novo por estar no lugar errado e na hora errada.

Quero dizer que eu amo muito a minha prima e que devo muita coisa à ela. Amo muito os filhos dela também que ocupam grande parte da minha vida e os considero meus irmãos mais novos. Nada do que escrevi aqui foi pra julgar, difamar ou chatear ninguém.

Apenas um pedido de socorro por uma mente confusa e sem rota.

Finnegan.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Meu melhor avô



Impossível não sentir falta, não se lembrar de seu rosto, seu sorriso...

Ainda ouço sua gargalhada ecoando pelo quintal.

Seus gritos tentando chamar a atenção de quem passa por perto.

Meu avô bebia cachaça, fumava cachimbo, falava palavrão, subia em árvore, cantava com os passarinhos, conversava com a lua, conhecia todo mundo, tinha sempre uma resposta na ponta da língua, nunca passa despercebido, gostava de ser o centro das atenções e foi uma boa pessoa.

Posso não ter sido a neta mais presente e participativa que ele teve, mas isso não faz o meu amor por ele ser menor. Houveram dias em que trocamos farpas, mas isso nem se quer abalou as estruturas dos meus sentimentos por ele. E por mais que eu seja uma pessoa quieta e que não costuma demonstrar seus sentimentos, eu tenho certeza de que ele sabia que eu o amo demais.

Se tem uma coisa da qual me arrependo é de não ter visitado ele no hospital em seus últimos dias, mas não foi por má vontade e sim por achar que ele superaria isso com o pé nas costas já que se tratava do meu avô, o homem mais forte do mundo que enfrentara coisas das quais nem consigo imaginar. O homem que construiu a casa onde eu moro e mais um monte de outras casas. O homem que criou 10 filhos sem se arrepender da educação que lhes deu.

Sei que não existem falhas nos planos de Deus, mas me pergunto por que Ele orquestrou cada situação para que eu não pudesse estar presente no velório e no enterro.
Principalmente não entendo por que tinha que acontecer no dia do meu aniversário de 20 anos que tinha sido o melhor da minha vida até eu receber a notícia.

A qual tive conhecimento no meio de um churrasco de domingo de pascoa (quase dois dias depois do falecimento) organizado pela família do meu namorado. E ainda tive que ser forte o suficiente para não deixar transparecer a minha tristeza até que ninguém estive por perto pra não acabar estragando a comemoração de quem não tinha nada a ver com aquilo.

Eu nem se quer me lembro qual foi a última coisa que disse à ele enquanto era vivo. Eu não pude me despedir pela última vez. E cada dia que passa isso tem me corroído cada vez mais.

Há menos de dois anos, eu me lembro como se fosse ontem, a viagem que fiz para a Paraíba com grande parte da família e com ele. Boa parte da viagem estive ao lado dele, fazendo companhia aonde ele ia, sentindo-me muito orgulhosa por poder estar desfrutando de momentos com o único avô que conheci e de não precisar compartilhá-los com mais ninguém, a não ser com ele. Andamos de braços dados por ruas de paralelepípedos, conversamos, rimos, visitamos pessoas...

Até do momento em que todos reclamaram dele eu sinto falta! Acontecia todos os dias da viagem, antes das 6 da manhã, quando ele ligava o rádio pra ouvir as notícias e acordava todo mundo com o barulho. E então ele ficava na janela olhando pra rua, esperando que todos levantassem para que ele pudesse ser o centro das atenções de novo. E que tivesse a minha companhia pra andar pelas ruas da cidade novamente enquanto ouvia todos o chamarem de ‘Barão’.

Meu vô Crido...

Vivia assobiando... Implicando com a minha gata... Inventando coisas novas pra fazer... Brigando com a minha Vó... Fazendo piadas... Ouvindo rádio... Perguntando se eu queria almoçar... Se metendo no que não devia... Sonhando com a próxima viagem pra Paraíba... Cuidando dos filhos... Falando de como eram as coisas antigamente... Cochilando durante o dia... Sentado no banco que ele construiu no ponto de ônibus... 
Fazendo dívidas nos comércios das redondezas... De bem com a vida...

Euclides José de Assis, falecido na noite do dia 06/04/2012.

Nunca será esquecido por nossas mentes e sempre terá um lugar em nossos corações.

Finnegan.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Feridas


O lado de fora não reflete o que há por dentro.

As cicatrizes não serão esquecidas.

As feridas das batalhas travadas se prolongam por todo o corpo.

Remédios não são suficientes.

São drogas viciantes e sem fim.

Adiam a minha dor, mas não o meu sofrimento.



Os espinhos cravados em meus pés são apenas o início.

Do dia em que resolvi viver.

Minha mente conturbada não consegue mais ver.

O que há por dentro é bem melhor.

Mais bonito.

Colorido e infinito.

Mas você fechou os olhos.

E não vê minhas feridas, cortes e arranhões.

Que eu fiz.

Apenas pra chamar a sua atenção.

Finnegan.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pensamentos compartilhados


“Respirei fundo e comecei. Sem saber onde aquilo ia dar ou que reação iria causar. Apenas comecei a andar sem destino, com meus passos desalinhados. Às vezes alguém olhava pra mim e eu sorria na esperança de que estivessem, finalmente, me vendo. Mas no fim eu sabia que seus olhares eram para o horizonte ou, simplesmente para alguém atrás de mim.

Como se já não fosse muito difícil estar em outro mundo, um mundo estranho e vazio. Eu podia ouvir os soluços daqueles que deixei para trás e aquilo me machucava tanto que achei que iria morrer de novo. Senti o cheiro das velas, mas estava escuro demais. Flutuei por um momento e então caí.

De repente eu estava ali sentado, olhando a mim mesmo e vendo todos à minha volta. Quis sair dali, mas não conseguia. Havia um elo, um imã que me puxava de volta, não importava o quanto eu corresse ou quanta força eu fizesse, eu voltava para aquele lugar escuro, quente e apertado.

Tentei abraçá-la, tentei acalmá-la, mas de nada adiantou. Aquela dor aumentava mais e mais, implorei por ajuda, pedi socorro e então ele veio. Me deu a mão e me levantou, me tirou dali por um momento. Levou-me a outros lugares para visitar outras pessoas, aqueles que estavam longe no mundo físico, porém sofriam igualmente aos que me olhavam.

Tentei voltar, pedi uma nova chance. Mas era tarde demais. Agora só os posso observar. Sinto saudades de nossas brigas. Saudades das brincadeiras. E dos passeios que fazia. Há um nó em minha garganta que não consigo desfazer.

Mas ele está ao meu lado, me dizendo que nada devo temer. E tenho fé no meu povo e na força que lhes ensinei. Nunca os esquecerei e prometo que tão logo voltarei, pois não há felicidade senão nos braços daqueles que sempre amarei.”
Finnegan.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Um passo pra frente, dois para trás


Ando pensando sobre os textos que preparei para as novas postagens do blog e, talvez eu tenha me precipitado em sonhar com um novo começo e um novo tipo de trabalho.

Os últimos textos que escrevi foram atacando pessoas, as quais conheço e já me ajudaram um dia. E agora vejo que este não é o jeito certo de voltar a fazer uma das coisas que mais gosto (e que, se Deus quiser, se tornará uma profissão), que é escrever.

Então, o que quero realmente dizer é: me desculpem por criar esperanças de textos com um estilo diferente, eu acabei tomando um caminho totalmente errado e preciso de mais tempo pra pensar se há um modo melhor de inovar. Enquanto isso não vou ficar sem dar notícias, postarei alguns textos que já havia escrito antes dessa ideia estúpida e, TALVEZ, alguns pensamentos e experiências pessoais.

Enquanto que ainda estou me adaptando à internet nova, não se assustem com mudanças no layout do blog, ainda está em fase de testes e experimentos e sintam-se à vontade pra opinar nos comentários.
Grata.
Finnegan.

sábado, 7 de abril de 2012

Meu dia


Acordar com namorado ao meu lado, foi a dica que tive de que o dia seria perfeito. Ao contrário dos outros que sempre foram motivo de frustração e arrependimento. O café da manhã não foi o que eu tinha em mente, mas nem por isso foi ruim. Tendo ele ao meu lado, era impossível ser ruim!

A maior parte do dia ficamos à toa, isso foi muito bom pra ambos que precisávamos dessa folga. Pude usufruir do meu presente mais que perfeito durante a manhã, enquanto ele se divertia com seus games.

O almoço saiu tarde, então pude cochilar antes de comer pra repor as horas de sono perdidas durante toda a semana corrida que tive. Saciei meu desejo de comer paçoca, que por sinal estava deliciosa e acabei comendo mais do que devia. Depois do almoço minha barriga estava bastante pesada e temi por não conseguir digerir a tempo de sair à noite.

Mas enfim deu tudo certo, e já estávamos nos aprontando pra noite mais divertida que já tive num dia 06/04. Enquanto eu tomava banho ele saiu para encontrar um amigo que chegou cedo pra abrir a pizzaria (rsrs). Terminei de me aprontar e saí com meu cunhado que se arrumou em tempo recorde dessa vez.

Ao chegar na pizzaria fiquei um pouco apreensiva por perceber que apenas um casal de amigos havia chegado, mas rapidamente esse incômodo foi substituído por um sentimento de alivio e felicidade por ver que mais um casal chegara de carro e com eles vinha meu primo de consideração que amo muito, mesmo ele sendo maléfico (piada interna).

No rodízio foi tudo muito agradável, todo mundo se deu bem eliminando esta preocupação. Logo no início roubaram meu garfo e meu namorado nem fez nada, mas felizmente um garçom (que não devia ter nada melhor pra fazer) viu a cena e me deu outro.

A pizza não estava tão ruim quanto me disseram que seria, porém por eu ter sentado no canto perto da parede, quase não ouvia o que os garçons diziam e acabei comendo 5 fatias apenas. Pelo menos consegui comer a pizza de chocolate que queria há meses e ainda ganhei uma sobremesa de brinde por ser aniversariante. Meu rodízio e meus refris não foram cobrados também, o que foi muito conveniente dado às circunstâncias de economia máxima.

Na volta deixamos nossos amigos no ponto em frente ao shopping, embora eu tenha trocado farpas com esse amigo durante o rodízio, quero deixar claro que tudo não passou de uma brincadeira nossa e ambos não estávamos levando aquilo à sério.


Enfim voltamos pra casa, tirei uma última foto pra registrar meu estilo 2.0 neste dia, guardei minha sobremesa (que quase esqueci na pizzaria), me despedi dos amigos que vieram pra cá jogar PS3 e fui deitar. Assistimos um programa que falava sobre as ferrovias no Brasil e fomos dormir, agarradinhos do mesmo modo que acordamos.



Claro que nada disso teria acontecido sem a ajuda de algumas pessoas, então aqui vão os agradecimentos finais: 
Obrigada mãe e pai por terem feito besteirinha há 20 anos e sem proteção (que mau exemplo eeein!! Rss) Um obrigada enorme e especial pro DANIEL ONSLAUGHT, por correr atrás e se esforçar pra quebrar a maldição dos aniversários péssimos que tive até hoje e por ser tão perfeito a ponto de conseguir me aturar por mais de um ano na vida dele e, se tudo der certo, pro resto da vida. Quero agradecer a todos os poucos amigos que têm o número do meu celular, que contrariando as minhas expectativas, não se esqueceram de mandar mensagem com felicitações: Júlia (você foi a primeira mesmo, amiga!), Pai, Mãe, Ryu, Natália e Cecília (que tentou ligar, mesmo sabendo que eu não atendo celular neste dia). Obrigada também a todos que compareceram neste dia que, COM CERTEZA, foi o melhor aniversário da minha vida: Dan, Caio, Alan, Schin, Dorinha, Su e Davi. Vocês fizeram valer o voto de confiança que dei ao passar meu aniversário de 20 anos nessa cidade, com a minha nova família. E aos que não puderam ir, não fiquem tristes, ano que vem tem mais!
Finnegan.