sábado, 26 de março de 2011

Paloma pt. 3


Estávamos num campo aberto com um grupo sentado no chão conversando baixinho ela pegou minha mão e me levou para perto – Sente-se onde quiser - ela disse sem desviar o olhar de um senhor de idade que estava sentado à frente do grupo e não parava de falar nem sequer para tomar fôlego.

Quando chegamos bem perto, tomei um lugar atrás de todos e me sentei cruzando as pernas, Paloma permaneceu em pé e com certo tempo ali, começou a andar em círculos, em volta do grupo aparentemente tão interessado na história do senhor de cabelos grisalhos que nem olharam para nós enquanto estivemos presentes naquela pequena reunião isolada do mundo.

Depois que terminei de examinar todos os jovens sentados a minha frente e, principalmente o velho que tagarelava sem parar, comecei a prestar atenção no monólogo que acontecia a minha frente.

A conversa era realmente sobre vampiros, percebi de cara. Ele explicava a origem, como vivem (ou sobrevivem), os mitos, as verdades enfim, era uma aula intensiva sobre vampiros e seus mistérios.

Enquanto ele discursava, eu acenava negativamente com a cabeça a todo o momento, não acreditando nas palavras proferidas por um velho que não tinha o que fazer. Ao perceber, Paloma chamou minha atenção imediatamente.

- Preste atenção no que ele diz, só depois tire suas conclusões. – ela disse irritada.

- Tudo bem, mas ainda assim isso tudo parece uma baboseira. – o que realmente não conseguia sair da minha cabeça é como nós chegamos ali.

- Os vampiros podem sim sair a luz do dia, quem inventou isso era um fiçurado em morcegos e achou que seria divertido comparar vampiros e morcegos apenas pelo fato de algumas espécies de morcegos, assim como algumas espécies de vampiros, se alimentam de sangue. – O senhor continuou encarando cada jovem a sua frente.

Até que algumas coisas que ele disse fizeram algum sentido para mim, mas eu não seria tão fácil de convencer assim, seria preciso muito mais discursos e alguns beijos (beijos estes da Paloma, é claro) para me fazer mudar de idéia.

Quando todo o discurso terminou e finalmente aquele senhor respirou um pouco de ar campestre eu levantei minha mão lá atrás para fazer uma pergunta, Paloma estava de costas para mim no momento e então eu proferi as seguintes palavras:

- Senhor, com todo o respeito, de onde saiu tanta besteira? – Eu tinha que tirar sarro de toda aquela historinha.

- Ele não pode te ouvir. – Paloma disse virando-se para me encarar.

- Além de tudo o velho é surdo?

- Não, ele não sabe que estamos aqui, por isso não nos vê nem nos ouve, mas com certeza sente nossa presença. – Ela explicou.

- Por que eu acreditaria nisso? Ou em tudo o que ele disse? – Indaguei já cansado de toda aquela palhaçada em que ela me meteu.

- É simples, nós estamos em outra dimensão, podemos ver tudo e todos daqui sem que nos vejam, mas alguns sensitivos, como ele – ela apontou para o senhor que olhava para os lados como se procurasse alguém em particular – podem nos sentir como espíritos de pessoas que já morreram.

Paloma fez uma breve pausa, se aproximou de mim e pegou novamente aquele objeto que muda de cor.

- Isto nos trouxe até aqui. É uma pedra Guist, existem muito poucas delas no mundo, dez exemplares para ser mais exata. A Guist tem o poder de nos transportar para o local que quisermos na dimensão que estiver vazia, para não haver problemas entre seus usuários.

- E como você conseguiu uma dessa então?

- Esta é uma pergunta simples, mas tem uma resposta bem complicada e ainda não é hora de entrarmos nesse tipo de detalhe. – Ela disse desviando o olhar.

- Tudo bem, o que faremos agora? Preciso voltar para casa logo!

Eu não estava dispensando aquela mulher maravilhosa, mas aquela história estava começando a me irritar e eu comecei a pensar que talvez transar com ela não valesse tanto a pena assim. Estava cansado demais para qualquer coisa, até para histórias de vampiros, chapeuzinho vermelho e lobo mau.

Paloma se aproximou de mim perigosamente, olhou em meus olhos e perguntou: “Agora você acredita em mim?”. Fiquei sem reação ao ver seu rosto tão próximo do meu, fixei meus olhos em sua boca provocante por alguns segundos e ela me beijou.