sexta-feira, 11 de março de 2011

Paloma pt. 2


Incrivelmente aquela jovem me atraía, eu sentia como se já a conhecesse de outras vidas e ela fosse uma pessoa muito amada por mim em todas elas. Eu não consegui tirar mais as minhas mãos de seu corpo e ela não parava de me beijar intensamente. Por um instante me esqueci que estávamos dentro de um vagão de trem e que eram quase 6 da manhã.

“Paloma” ela disse interrompendo um beijo e olhando no fundo de meus olhos. Eu a encarei sem entender o que disse ou o porquê disse naquele momento, então ela completou: “Meu nome é Paloma”. Sorri envergonhado por já tê-la agarrado sem nem mesmo saber seu nome e a soltei para me recompor.

- Eu não disse que era pra você parar, eu só disse o meu nome.

- Sim e o meu é Julian.

- Você está arrependido? – ela indagou.

- É claro que não, eu não tenho motivos para isso! – respondi constrangido.

Paloma então se aproximou mais uma vez e pegou minha mão direita colocando-a em uma de suas coxas, me olhou fixamente e respirou fundo. “Você me atrai.” Eu disse sem pensar e isso fez com que ela levantasse uma das sobrancelhas.

- E se eu lhe dissesse que não sou humana? Você acreditaria?

- Não. – respondi rispidamente.

- Bom, então eu lhe digo que não sou humana. – ela insistiu.

- Qual reação você espera que eu tenha? – perguntei curioso.

Eu realmente não acreditava nela, nunca acreditei em seres de outro mundo ou lendas urbanas. Ela me parecia uma jovem normal, uma rebelde sem causa que no momento devia estar drogada para inventar algo do tipo.

- Apenas acredite, pois minha intenção é que você também não seja.

- Então o que você acha que é, senão um ser humano normal como todos os outros?

Ela hesitou por um instante, mas antes de me responder me deu outro beijo intenso, molhado e cheio de desejo. Eu percebi então que o efeito do álcool que tomei naquela noite não havia passado ainda e fiquei imaginando a ressaca que estava por vir.

- Eu sou uma vampira.

- Tá bem, então por que você está em plena luz do dia dentro de um trem? Você não queima e nem brilha a luz do sol? – perguntei tirando sarro de sua invenção patética.

- Estranho como vocês se prendem a contos antigos e filmes mal-feitos. – ela constatou.

- O que eu posso fazer se você é a primeira vampira que conheço para me livrar desses paradigmas terríveis da sociedade? – Meu tom de sarcasmo não foi muito bem equilibrado.

- Você acha que estou brincando? Estou lhe dizendo isso porque daqui a exatos 23 minutos eu o transformarei em um vampiro, assim como eu.

- Então me explique senhora X-Man, você sai de dia e dorme a noite; você é vegetariana; vive no máximo 100 anos e ainda tem tempo de doar sangue para a cruz vermelha?

Ela me encarou com um olhar fulminante desta vez e pude perceber seu rosto ficar vermelho enquanto terminava minhas perguntas irônicas. Paloma me encurralou entre seu corpo e uma porta fechada do vagão vazio, retirou de um dos bolsos um objeto estranho, estava amarrado a uma corrente de ouro e se assemelhava muito a um cristal raro, tinha cor alaranjada e de modo que Paloma aproximava o objeto do meu rosto ele mudava sua cor para um vermelho intenso.

- O que é isso? - Perguntei curioso.

- Será que agora você vai começar a levar a sério o que eu digo? – ela disse ainda zangada.

- Talvez, se você começar a explicar suas afirmações.

- Sem problemas, espero que esteja preparado para uma viagem dentro deste vagão.

Ela realmente estava louca, só faltavam duas estações para terminar aquela linha e não estava muito longe de chegarmos a elas. Aquela ruiva de olhos claros então começou a dizer palavras estranhas, provavelmente uma língua estrangeira da qual eu nunca tinha ouvido falar, e eu senti o mundo a nossa volta girar mais ainda.

De repente nós estávamos em um lugar tão escuro que eu só conseguia enxergar seu nariz a pouquíssimos centímetros do meu, arregalei meus olhos e forcei-os a fim de enxergar além, quando repentinamente uma luz branca e forte se acendeu e machucou meus olhos de tal forma que os senti pegar fogo.

Sem saber o que estava acontecendo comigo, puxei Paloma para mais perto até que nossos corpos estivessem colados e ela disse sussurrando em meu ouvido: “Está tudo bem, é só a nossa viagem, nós vamos passar por coisa muito pior na volta.” Eu não sei se a intenção dela era realmente me confortar, mas sentir seu corpo junto ao meu era bem agradável.

(continua)

Um comentário:

Onslaught disse...

sou suspeito pra opinar (por dois motivos simples) mas posso dizer q essa guria escreve otimamente bem!!! O conto esta ótimo!!!