segunda-feira, 7 de março de 2011

Paloma pt. 1


Recostei-me numa pilastra e abaixei a cabeça na intenção de relaxar o pescoço, eram 5 da manhã e eu ainda não havia chegado em minha casa, estava exausto e dolorido, porém aquela noite fora a mais perfeita de toda a minha vida, até agora.

Poucas pessoas, assim como eu, esperavam o trem na estação. Observei-as disfarçadamente para não chamar atenção dos guardas alarmados com os grandes casos de roubos na região.

Um homem pardo sentado lendo o jornal, em especial a sessão de política. Um grupo de jovens que conversavam com fervor sobre o último jogo de futebol televisionado. Uma senhora aparentando ter 50 anos, vestida formalmente e carregava uma pasta preta. Uma jovem de mãos dadas a uma criança serelepe

E, por fim, mas não menos importante, uma jovem na faixa etária dos 19-20 anos, vestia-se no estilo punk, seus cabelos eram grandes, lisos e de cor vermelho vibrante. Estava apoiada em outra pilastra a uns 4 metros de distancia e se distraía com um livro de capa vermelha e relativamente grande.

Meus pés doíam e eu sentia o mundo girar a minha volta. Procurei um banco vazio para que pudesse descansar enquanto aguardava. Sentei-me em um banco de madeira um pouco mais próximo à jovem de cabelos vermelho. Senti seu olhar me penetrar, mas não tive coragem de encará-la de volta.

Cochilei sem perceber e acordei assustado com o barulho ensurdecedor do trem que chegava às 05h30min da manhã, uma manhã de segunda-feira calma, silenciosa e com um clima fúnebre. Apressei-me a entrar por uma das portas do trem relativamente vazio. Sentei no primeiro lugar que estava vago e quando realmente abri os olhos percebi que a jovem leitora estava senta na minha frente.

Na estação seguinte todos desceram e ficamos apenas eu e ela, um de frente para o outro. Eu a observava curioso, tentando entender suas correntes espalhadas, a bota de salto fino e gasto e o cachecol aparentemente deslocado de todo o estilo que ela trajava. Em alguns momentos nossos olhares se encontravam e eu desviava, tentando disfarçar o incômodo.

De repente ela se levantou e veio em minha direção, eu levantei a cabeça a fim de olhá-la nos olhos, mas aproveitei para percorrer seu corpo com desejo no olhar. Então ela quebrou o silêncio perturbador:

- Você pode me ajudar? – Sua voz era doce e pude perceber que ela tinha um piercing na língua enquanto falava comigo.

- Pois não? – Eu disse tentando não parecer nervoso com aquela abordagem inesperada.

Ela sentou-se ao meu lado e se inclinou para frente, me deixando tonto com aquela posição.

- Você acha que minha roupa está extravagante demais para visitar uma pessoa no hospital? – Ela perguntou com sua voz falhando, como se algo apertasse em sua garganta.

Era lógico que estava! Notava-se de longe a presença dela e suas roupas não eram muito discretas apesar de serem escuras.

- Bem... Err... – Fiquei sem jeito de responder a verdade, mas não queria iludi-la.

- Diga, estou pronta pra qualquer resposta. – Ela me olhou nos olhos, mas seu pingente de pentagrama pendurado no pescoço desviava o meu olhar.

- Sim. – eu disse sem perceber o quanto seco a respondi.

- Desculpe. – Ela disse se levantando envergonhada.

Segurei seu braço para que ela não se afastasse demais e me levantei me aproximando perigosamente de seu rosto pálido.

- Eu é que lhe devo desculpas, não quis ser rude.

- Está tudo bem, não se preocupe com isso. – Ela respondeu me parecendo embebida pela sensação de ficar a poucos centímetros de mim.

- O que mais você quer de mim? – Perguntei enquanto cenas picantes rondavam a minha cabeça.

Ela se aproximou ainda mais de meu rosto e no último segundo virou para dizer palavras indecentes em meu ouvido. E aquilo foi tudo o que precisava para segurá-la pela cintura e lhe dar o melhor beijo de toda a sua vida.

(Continua)

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