segunda-feira, 7 de março de 2011

É a última.

Enquanto eu tomava outra dose ele me encarava como se aquilo fosse a coisa mais feia do mundo. Eu não parava de pensar em como aquilo me fazia mal, vê-lo de longe e de outro ângulo, mas não quis dar o braço a torcer e parecer fraca.

Não queria se aproximar, sentou-se a duas mesas de distância e se sentia o dono do lugar. Com sua imponência de ditador afastava qualquer um que pensasse em sentar-se ao seu lado e, ao mesmo tempo, atraía moças jovens e perigosas, mas nada o impedia de enxotá-las e continuar me vigiando de longe.

Muitas vezes minha vontade era levantar e e dizer: “Perdeu alguma coisa aqui?”. Mas eu já sabia que a resposta dele seria positiva e eu acabaria ficando sem jeito com todos nos olhando com curiosidade.

Tomei mais uma dose e pensei – É a última! – mas eu não queria dar o braço a torcer e deixar que ele controlasse até o que eu bebo, afinal, eu sou dona de mim mesma, sei bem o que devo fazer e o que não devo.

Eu não deveria fumar, mas fumei... Aquela noite estava sendo libertadora, porém eu era uma prisioneira cuja a sentença era a prisão perpetua ao universo machista daquele homem de capa preta, barba por fazer e olhos vermelhos sangue.

Pensei mais uma vez – É a última! – e me levantei deixando o dinheiro da gorjeta no balcão molhado, porém limpo. Passei por uma multidão que se agitava sem parar e enfim achei uma porta grande aberta onde um casal estava parado conversando ao pé do ouvido.

Peguei minha jaqueta marrom e fui caminhando em direção ao meu carro compacto e de cor vermelho vibrante. Desliguei o alarme e quando pus minha mão na porta do carro, senti uma mão grande e quente segurar em meu ombro.

Estremeci e quando olhei para ele, agora bem mais perto do meu rosto, pensei: “É a última!”.

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